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Meu caderninho de notas numa das páginas do Colóquio.
Meu caderninho de notas numa das páginas do Colóquio.

Minhas anotações do I Colóquio Internacional do Núcleo Walter Benjamin – “O Limiar” (FALE, UFMG, entre 19 e 21 de novembro de 2008) ganharam uma forma estranha e rompida; as palestras não estão identificadas claramente; algumas foram “transcritas” com uma só frase. Para referência, consulte o programa do Colóquio.

dialética não conciliatória | contemplação != operação sensorial | morte da intenção | amor ao conceito e desconfiança do empírico (este entendido como algo estabilizado, que constitui ficção, que se opõe ao conceito) → não é contradição | montagem arbitrária: nada a dizer, só a mostrar | s/teoria/visão/ | objeto apresenta-se a si próprio, “imediato” | aura (limite) | novos objetos → novos métodos | fenômeno originário (o fático já é teoria) | método é desvio → seguir a agulha, esforço por se perder | imersão à procura do fenômeno originário | mas não em abismo: dele não se volta (?) | não se trata de indução nem de dedução | não se trata do “eterno retorno” nietzschiano | aura é manifestação da auto-apresentação do objeto (é “imediata”, mas leva tempo) → “magia” (irradiação imediata de um ser) | limiar e imagem dialética → outrem / outrora → o que está a frente, está atrás |

morte que gera resto | imagem singular / separação dialética da imagem (cinema) | redenção (a cada instante) | condições mnemotécnicas para a imagem dialética | imagens não devem passar, mas permanecer (imagens de arquivo) | Didi: imagem, porta aberta onde não se pode entrar | Godard (Nossa Música, aula de cinema, campo e contracampo, texto e imagem) | relação limiar | educação | cruzar o limiar e entrar na história | o limiar é o lugar/tempo seguro | imagem dialética: passado investido de futuro | despertar: pertence à temporalidade messiânica | presente (em mutação) desperta o passado | materialismo histórico e teologia → redenção da história |

Malraux et Benjamin ou le refus de l’Einfühlung comme fondement de la métamorphose | (einfühlung: aquilo que cria familiaridade? falsa familiaridade?) a noção de aura usada por Malraux pode não ter nada a ver com reprodutibilidade (?) | mas podemos aproximá-la do conceito de história | aura (pegada) para Malraux não poderia ser destruída (?) | aura como zona protetora, como distância intransponível (“no fundo da imagem”) | tensão entre valor de culto e de exposição | destruir a pegada gera risco de fazer cair numa imanência crua | conciliar ambos: “resto” | analogia Hegel e Malraux: Museu Imaginário marca o fundo da arte | apropriação do conceito de aura por Malraux é “retomada na diferença”: não significa reprodutibilidade | Malraux e o conceito de história de Benjamin: as obras de hoje revivem as do passado → metamorfose | origem não é gênese (B.) | metamorfose é a própria vida da obra de arte no tempo (M.) | arte e história: “só as obras mortas não se transformam”: idealismo anistórico impediria a obra de viver “a mais” | Museu Imaginário: todas as obras por vir bem como as do passado como as do passado que o futuro fará ressurgir → redenção | metamorfose não é apenas um processo histórico → instaura fraturas na “continuidade” (da história) | dimensão messiânica também em Malraux (talvez) | “imaginação” é um mundo de mágica | “imaginário” é um mundo de formas | M.I. é lugar de domínio? entre M.I. e metamorfose há uma tensão: as glórias de hoje nos não as conhecemos ainda |

Benjamin levava a sério a liquidação de todas as fantasmagorias | barbárie positiva | (“o elemento destruidor”) | [a palestra que se segue contradiz a anterior sobre a relação entre M |I | e reprodutividade:] confrontação de metamorfoses | processos tecnológicos facilitam a confrontação | nítida relação entre B. e M., relação entre declínio da aura e metamorfoses: função social da arte | função, modo de existência, recepção e | metamorfose: obra de arte submete-se ao tempo/espaço presente | do valor ritual ao de exposição: função social | do recinto fechado para o aberto | enunciação da arte | disponibilidade | perda/destruição: sinônimos → não se trata de “fim” da aura, mas de uma perda | fundo universal da cultura e da arte | XVII ao XIX: gravuras | fotos p&b: gravura mais fiel | técnicas modernas | álbum de imagens: mudança do modo de existir | não mais relações de rivalidade, mas de relatividade | otimismo! “emancipação” da obra de arte | prenúncio da crise da pintura | aura em transformação constante | arte como anti-destino | aura insubmissa | ruptura da aura = metamorfose |

lógica do enigma abre caminho para a atenção (duplos e interpretações literais das imagens:)

distinção entre limiar e limite | nas línguas latinas, têm raiz semelhante | em alemão não há tal dificuldade | limite: fronteira: forma bem definida (separado do infinito) | fronteira implica também limites | pensamento (desde Kant) é delimitação de fronteiras | impedimentos | linha que não podemos transpor impunemente | limiar: passagem: transição sem atropelos | ponte | limiar não designa apenas a separação, mas também a zona intermediária, “o entre”, intermediação | anular as transições, os limiares: perdem-se os “ritos de passagem” | ritos de separação, ou de agregação, ou de margem/limiar | marginais, mas essenciais: o morrer: declínio da narrativa → romance (individual) | Proust: adormecer e acordar: limiar do tempo e da memória | embaralhamento | fantasmagoria e racionalidade | suspensão e excitação | recuperar essas questões ao pensamento: abandonar as pretensões do sujeito absoluto do pensamento | limiar: o tempo da infância: indeterminação (formação) | “ciência das múltiplas variações dos limiares” | nivelamento do profano e do sagrado → carência de experiências liminares | Kafta prenhe de metáforas de limiares, mas sempre sem sentido → portas, corredores etc | que não levam a lugar algum | campo de concentração: lugar de mortos-vivos: limiar de indiferença (Primo Levi) |

“avacalhar”: vac-: criar o vazio | Didi-Huberman: poeira e arte | arte conceitual → limiar → esvaziamento da forma | nem colocar (pintura), nem tirar (escultura) – Benjamin gostou de Duchamp (esvaziamento e arte portátil) | sentido-porta-giratória | cinza e pensamento | vapor (Jeff Koons) | para T. J. Clark, nenhuma instalação contemporânea resiste ao teste da forma | “verdadeira aparição” | Hélio Oiticica | bólide | desobra |

traduções intermídia | Benjamin e Derrida | pas du sense | pura língua | desvio | supervivência do original | interdito à retradução | messianismo | redenção do original | na tradução, o original cresce | todo texto carrega em si sua “tradução virtual” | relação tradição e suplemento | “torre de Babel” | Derrida diverge da hierarquia tradução/original – “a priori tradutor” → não preexistência do original | retradução sem fim |