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TatogartasCachorriranas

"Instruções para o jogo com tatogartas", 2003.
"Instruções para o jogo com tatogartas", 2003.
"Coleção de tatogartas", 2004
"Coleção de tatogartas", 2004
"Descobrindo tatogartas", 2005, vídeo.
"Descobrindo tatogartas", 2005, vídeo.
"Readymade ajudado (from) tatogartas", 2005.
"Readymade ajudado (from) tatogartas", 2005.
"Readymade ajudado (from) tatogartas 2", 2005.
"Readymade ajudado (from) tatogartas 2", 2005.
"Readymade from tatogartas", 2005.
"Readymade from tatogartas", 2005.

Dia a dia da pesquisa sobre tatogartas

Projeto "Tatogartas: taxonomia impossível"

ConsideraçõesTatogartas – considerações para o projeto.

InventárioTatogartas – inventário antes de ir para o blog.

Blog tatogartas

Resolvi experimentar esse tal de blog: http://tatogartas.blogspot.com/.

Tatogartas

Anotações sobre tatogartas para Luiz Naveda, 2005.
Anotações sobre tatogartas para Luiz Naveda, 2005.

1) “A cor é a tecla. O olho é o martelo. A alma o piano de inúmeras cordas” (Kandinsky) [substituir cor por tatogarta, veja abaixo].

2) Tatogartas são, hipoteticamente, seres inclassificáveis.

3) É possível, ao menos, ordená-las?

4) Em relação à música, tatogartas pareceriam apenas teclas de piano que, apesar de iguais (mesma forma, cor etc.), são diferentes por posição.

5) O que se procura é música na impossibilidade:

Parceria Luiz

Parceria Luiz

Primeira tempestade cerebral

De: Hélio Nunes Para: Luiz Naveda Data: 25-07-2005 11:58

Estou muito animado com nossa conversa! Ontem acordei cedo e despejei no meu caderno uma série de notas e rascunhos.

Deixe-me explicar o que estou pensando…

Tenho trabalhado, como te disse, com as tais tatogartas que são, hipoteticamente, seres inclassificáveis. Elas são inclassificáveis porque são iguais: simples retângulos pretos sobre uma superfície branca ou sobre um suporte tridimensional. Há outros aspectos nelas: são opacas à interpretação; têm hábitos congregativos, de empilhamento; têm relação com a massificação; são invasivas, muito apropriadas à intervenções; e, sobretudo, são colecionáveis.

Dê uma olhada neste blog: http://tatogartas.blogspot.com/

O texto inicial é o erro de tipografia de um livro de entomologia do qual retirei o nome tatogartas.

As anotações e a idéia:

1) “A cor é a tecla. O olho é o martelo. A alma o piano de inúmeras cordas” (Kandinsky) [substituir cor por tatogarta, veja abaixo].

2) Tatogartas são, hipoteticamente, seres inclassificáveis.

3) É possível, ao menos, ordená-las?

4) Em relação à música, tatogartas pareceriam apenas teclas de piano que, apesar de iguais (mesma forma, cor etc.), são diferentes por posição.

5) O que se procura é música na impossibilidade:

A instalação seria fisicamente muito simples. Um número X de ganchos (o número seria decisão sua – notas? acordes?) e um número menor de tatogartas (também decisão sua). Um cubo preto contendo um PC executando o eyesweb, sobre ele a webcan e caixas de som (escondidas ou pretas – se pretas, também tatogartas). Subverteríamos a idéia do Kandinsky: a câmera seria o olho, o PC com o eyesweb+programa seria a alma e o visitante, de observador, passaria a pianista. Claro que na negação chegaremos à afirmação pois o pianista também ouve, não é?

Re: Primeira tempestade cerebral

De: Luiz Naveda Para: Hélio Nunes Data: 26-07-2005 19:48

Hélio, é impressionante como você consegue se fazer entender, fazer coisas absurdas serem colocadas a entender e ficar tudo interessante…realmente, isso confirma o artista, descarta um historiador, mas duvido que não seja um professor.

Eu achei fantástico. Em algum momento já andei programanto um patch que mapeava o campo da sala em que a pessoa estava, gerando uma informação sobre a presença da pessoa em determinado campo o que poderia ser trabalhodo para gerar configurações a partir das mudanças das configurações das tatogartas, e daí gerar qualquer padrão de som…notas de piano (óbvio demais…instalação para músico burro…deviamos montar um detector de profissào e QI no eyesweb), sons diversos, frases de poemas, etc…

Mais interessante ainda é que a utilizaçào de webcam e muito mais em conta que sensores neste caso e o registro disto muito mais interessante. Outra coisa é que vc escarafuncha o concetio de inteligência artificial: inteligência, caixa preta, sistema velado, olho, resposta, interação etc…..vou começar a programar e se tiver alguma coisa eu te mando…vc já instalou?

p.s. As tatogartas não são classificáveis, então só existe uma? Ou se colecionam as molduras? Já pensou em fazer um programa que procure por retângulos pretos em pesquisas de imagem no google? Será que é possível o EW detectar uma tatogarta (preto=0, retângulo=pixels padronizados ou com algum grau de padronização)…se vc levar a compressão do Jpg ao máximo ele detecta possibilidades das tatogartas pretas? A compressão jpg detectaria as tatogartas escondidas no mundo?

Re: Primeira tempestade cerebral

De: Hélio Nunes Para: Luiz Naveda Data: 28-07-2005 11:39:10 Opa Luiz!

> poderia ser trabalhodo para gerar configurações a partir das mudanças
> das configurações das tatogartas, e daí gerar qualquer padrão de
> som...notas de piano (óbvio demais...instalação para músico
> burro...deviamos montar um detector de profissào e QI no eyesweb),
> sons diversos, frases de poemas, etc...

Hehehe… Os sons são por sua conta; eu aqui só penso em “Tatogarta, tatogarta andando…” numa voz grave e sombria, feito “Morto, morto andando…” :) O ideal seria criar algo inusitado e extremamente variado – para definir o número de tatogartas e o número de ganchos, teríamos que calcular as combinações possíveis (e a variedade de sons que poderiam advir daí). O som seria a diversidade, em contrapartida à similitude visual…

> Mais interessante ainda é que a utilizaçào de webcam e muito mais em
> conta que sensores neste caso e o registro disto muito mais
> interessante. Outra coisa é que vc escarafuncha o concetio de

Pois é! O registro disso daria pano para várias mangas.

> inteligência artificial: inteligência, caixa preta, sistema velado,
> olho, resposta, interação etc.....vou começar a programar e se tiver

O eyesweb é uma plataforma muito interessante para pesquisas nessa área: ele fornece quase todos os “sentidos” e respostas necessários à configuração de uma inteligência.

Re: Primeira tempestade cerebral

De: Hélio Nunes Para: Luiz Naveda Data: 01-08-2005 14:46:07

> p.s. As tatogartas não são classificáveis, então só existe uma? Ou se
> colecionam as molduras? Já pensou em fazer um programa que procure por

Tatogarta é um nome de uma coisa que não existia :) Como cabia a mim dar-lhes existência, resolvi que elas são retângulos pretos ou emoldurados por um retângulo branco vazado, ou sobre um retângulo branco… Há inúmeras tatogartas; entretanto, a hipótese de sua impossibilidade classificatória tem origem na sua extrema similaridade: a tatogarta “coletada” da forma correta (assim como a borboleta, ou o selo, sem defeitos ou amassados) seria um retângulo perfeito e só.

> retângulos pretos em pesquisas de imagem no google? Será que é

Tinha pensado no google… mas como já está batidão, deixei prá lá.

> possível o EW detectar uma tatogarta (preto=0, retângulo=pixels
> padronizados ou com algum grau de padronização)...se vc levar a

Pensei apenas em usar o EW para detectar o preto dentro de um ambiente todo branco… a instalação ocuparia um cubo branco (o cubo asséptico da galeria) enquanto a “alma” (computador+ew) ocuparia um cubo preto.

> compressão do Jpg ao máximo ele detecta possibilidades das tatogartas
> pretas? A compressão jpg detectaria as tatogartas escondidas no mundo?

Se a imagem fosse bem nítida, acredito que sim… como tatogartas são retângulos pretos circunscritos por áreas retangulares brancas (ou moldura, ou suporte), bastaria verificar se dois lados paralelos da figura preta têm medida igual… Difícil é achar isso com uma câmera de vídeo: a perspectiva interferiria a todo momento.

Relações com a música: tempo

De: Hélio Nunes Para: Luiz Naveda Data: 06-08-2005 10:23:06

…o que queria discutir mesmo foi um “achado”. Lembra-se quando discutíamos as relações da música com a imagem e o problema dos distintos tempos? Algum de nós falou sobre esse mesmo problema em relação ao texto… etc. Relendo Mário de Andrade, o “Prefácio interessantíssimo” de Paulicea Desvairada, prestei atenção ao seguinte:

[o texto é longo, no final dele faço uma perguntinha]

"
[...]
A poética está muito mais atrasada que a
música. Esta abandonou, talvez mesmo antes
do século 8, o regime da melodia quando muito
oitavada, para enriquecer-se com os infinitos
recursos da harmonia. A poética, com rara
exceção até meados do século 19 francês, foi
essencialmente melódica. Chamo de verso
melódico o mesmo que melodia musical:
arabesco horizontal de vozes (sons) consecutivas,
contendo pensamento inteligível.
Ora, si em vez de ùnicamente usar versos
melódicos horizontais:
"Mnezarete, a divina, a pálida Phrynea
Comparece ante a austera e rígida assembléia
Do Areópago supremo..."
fizermos que se sigam palavras sem ligação
imediata entre si: estas palavras, pelo fato
mesmo de se não seguirem intelectual,
gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras,
para a nossa sensação, formando, não mais
melodias, mas harmonias.
Explico milhor:
Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas....
Povoar!..."
Estas palavras não se ligam. Não formam
enumeração. Cada uma é frase, período elíptico,
reduzido ao mínimo telegráfico.
Si pronuncio "Arroubos", como não faz parte
de frase (melodia), a palavra chama a atenção
para seu insulamento e fica vibrando, <i>à espera
duma frase que lhe faça adquirir significado e
QUE NÃO VEM.</i> "Lutas" não dá conclusão
alguma a "Arroubos"; e, nas mesmas condições,
não fazendo esquecer a primeira palavra, fica
vibrando com ela. As outras vozes fazem o
mesmo. Assim: em vez de melodia (frase
gramatical) temos acorde arpejado, harmonia,
--- o verso harmônico.
Mas, si em vez de usar só palavras sôltas, uso
frases sôltas: mesma sensação de superposição,
não já de palavras (notas) mas de frases
(melodias). Portanto: polifonia poética.
Assim, em "Paulicea Desvairada" usam-se o
verso melódico:
"São Paulo é um palco de bailados russos"; o
verso harmônico:
"A cainçalha... A Bôlsa... As jogatinas...";
e a polifonia poética (um e às vezes dois e
mesmo mais versos consecutivos):
"A engrenagem trepida... A bruma neva..."
[...]

Comentário à frase de Hugo. Harmonia oral não
se realiza, como a musical, nos sentidos, porque
palavras não se fundem como sons, antes
baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A
realização da harmonia poética efetua-se na
inteligência. A compreensão das artes do tempo
nunca é imediata, mas mediata. Na arte do
tempo coordenamos atos de memória
consecutivos, que assimilamos num todo final.
Êste todo, resultante de estados de consciência
sucessivos, dá a compreensão final, completa
da música, poesia, dança terminada. Victor Hugo
errou querendo realizar objetivamente o que
se realiza subjetivamente, dentro de nós.
"

Comentei com você sobre minha angústia de a imagem ser obrigada a virar seqüência (cinema) quando confrontada a som sob pena de virar imagem de fundo, cenário. Uma vez argumentaram contra essa minha angústia apelando para o cinema mudo, segundo eles, o som foi apenas agregado à seqüência de imagens… som de fundo.

Pergunto o seguinte: poderia a imagem estática e fora de seqüência atuar como a “harmonia poética” do Mário (que ocorre na inteligência)??? Estaria ai a possibilidade de som e imagem se relacionarem sem hierarquias?

Tatogartas políticas...

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"Cachorrirana, a personagem", 2005
"Cachorrirana, a personagem", 2005

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