Clique e Segure

Theatrum Picturatum

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No centro vemos o Arquiduque emoldurado pela distintiva coroa de folhas – ramos de oliveira, talvez –, onde pincéis fixam uma palheta de pintor. Ele está sobre um pedestal carregado de inscrições e seu corpo está recortado tão caracteristicamente como os bustos esculpidos perfilados na cimalha acima, mas sabemos que se trata de um retrato pintado, principalmente quando reparamos a pesada cortina atrás dele, circunscrita e sem continuidade no espaço dos acontecimentos. O Arquiduque nos olha desde um outro lugar, mais profundo que o daqueles bustos, mas não tão animado quanto o lugar onde os faceiros querubins concorrem para apresentar, cada um, aquele que considera o melhor quadro. Pressentimos uma porta no fundo da cena; é para lá que se encaminha o querubim que voa retornando um quadro que parece ter sido derrotado. Ou talvez ele venha de lá apressado, voando de costas porque o quadro é muito pesado, para adicionar o melhor concorrente. Enquanto isso, no chão, os dois outros discutem entre si. O da direita parece magoar-se com a contenda e olha para o outro, um orador nato e culto que apresenta, além do quadro, uma série de livros antigos e uma tábua para estudo de cores. Minerva, que parecia arbitrar a disputa, deixa sua postura austera e também o olha. Ele inquire algo – talvez tenha acabado de proferir o argumento final –, mas a moça de armadura, escudo e lança, mesmo impávida, se nega a responder e aponta: dessa vez, quem tem o voto final é o Arquiduque. Mas ele parece distraído, ele nos olha e não aos quadros. Ele está mesmo em outro lugar. Quando reparamos bem, percebemos inclusive que ele está acompanhado nesse outro espaço que se aprofunda: a bela Violante está à sua esquerda, enquanto Dionísio e Penteu, os dois homens da direita, se altercam de armas em punho.